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SindsaúdeJaú participa de Encontro Estadual que traça estratégias para o futuro da categoria e aprova a Carta de São Paulo


27/08/2026


O SindsaúdeJaú marcou presença no 19º Encontro Estadual da Saúde, realizado entre os dias 24 e 26 de agosto, na Colônia de Férias Firmo de Souza Godinho, em Praia Grande. O evento reuniu cerca de 200 dirigentes e delegados de 13 sindicatos filiados à Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo, representando mais de 800 mil trabalhadores da saúde da rede privada e filantrópica paulista.

Representaram o Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú a presidente Edna Alves, as diretoras Renata Priscila dos Santos, Elizabete Aparecida da Cunha e Sofia Claudete Rodrigues Borges, além do assessor de comunicação Paulo César Grange. 

Após dez anos sem a realização de um encontro estadual da categoria, a Federação retomou o evento com uma programação voltada à formação política, ao fortalecimento da organização sindical, à saúde mental dos trabalhadores e à discussão dos impactos das mudanças que estão em debate no Congresso Nacional, especialmente o fim da escala 6x1 e a redução da jornada de trabalho.

MAIS FOTOS EM NOSSA GALERIA: https://www.sindsaudejau.com.br/galeria.php

Liderança, representatividade e fortalecimento sindical

A abertura contou com a participação do deputado federal Jonas Donizete, que abordou o tema “A liderança que transforma – um olhar humanizado para os trabalhadores da saúde”. O parlamentar destacou a importância da motivação e do compromisso dos dirigentes sindicais diante dos desafios enfrentados pela categoria, além de defender uma maior presença dos trabalhadores da saúde nos espaços de decisão política.

O presidente da Federação Paulista da Saúde, Edison Laércio de Oliveira, ressaltou o simbolismo da retomada do encontro estadual após uma década.

“Um encontro de pessoas nos fortalece e nos anima”, definiu o dirigente durante a abertura do evento.

Também participaram da solenidade lideranças da União Geral dos Trabalhadores (UGT). O presidente nacional da central, Ricardo Patah, fez um reconhecimento ao papel dos profissionais da saúde.

“A categoria mostrou seu heroísmo durante a pandemia e todos os dias socorrendo a população em suas dores. Mas isso precisa ser traduzido em melhores salários e condições de trabalho.”

Já o presidente da UGT-SP, Amauri Mortágua, destacou que a luta sindical vai além das negociações salariais.

“A categoria acabou de sair de uma campanha salarial difícil, mas precisa continuar lutando para não permitir que o País retorne ao passado recente de retrocesso”, afirmou.

 

A voz da saúde

Representando o Sindsaúde Campinas e a Federação da Saúde, Juliana Machado falou sobre a importância da formação sindical e da construção de novas lideranças para o movimento dos trabalhadores da saúde. “Estive aqui há dez anos e foi nesse espaço que fortaleceu ainda mais o meu propósito de lutar pelos trabalhadores e trabalhadoras da saúde.”
Juliana também ressaltou a importância das lideranças femininas que ajudaram a inspirar sua caminhada. “Eu olhava para companheiras como Edna, Elaine, Marli e Graça e pensava: quando eu crescer, quero ser como elas. Essas referências mostram que é possível transformar a realidade através da luta coletiva.”
A dirigente destacou ainda a necessidade de preparar novas gerações para assumir o protagonismo na defesa dos direitos da categoria. “Precisamos florescer, inspirar e abrir caminhos para que outras pessoas assumam esse compromisso. A formação política e sindical é uma ferramenta essencial para garantir o futuro dos trabalhadores.”
Ao final, Juliana reforçou o espírito do encontro. “Que possamos sair daqui fortalecidos para assumir o compromisso de levar as pautas da saúde para cada local de trabalho e para cada espaço de decisão.”

Política como ferramenta de transformação

O segundo dia foi dedicado à formação política e à capacitação dos dirigentes sindicais. O vice-prefeito de Campinas, Wanderley de Almeida, o Wandão, apresentou uma análise sobre o funcionamento do sistema político brasileiro e a necessidade de ampliar a representatividade dos trabalhadores da saúde nos parlamentos.

“Os trabalhadores da saúde, que em São Paulo são mais de 700 mil, podem e devem ter seus representantes no Legislativo”, afirmou.

O palestrante ainda incentivou os participantes a acreditarem na capacidade de transformação da própria categoria.

“Devemos primeiro decidir: eu quero e, depois, eu posso.”

Após a palestra, os dirigentes participaram de grupos de trabalho para debater estratégias de fortalecimento da presença política da categoria e construir propostas para ampliar a participação dos trabalhadores da saúde nos espaços de decisão.

Saúde mental entra definitivamente na pauta sindical

Um dos temas centrais do encontro foi a saúde mental dos profissionais da saúde. O médico do trabalho Koshiro Otani apresentou dados sobre o adoecimento crescente da categoria e alertou para a necessidade de fortalecer a consciência coletiva dos trabalhadores.

“Sem história, o trabalhador não reconhece o adversário. Sem consciência de classe, ele o defende.”

Otani destacou que a sobrecarga de trabalho, as equipes reduzidas e a dificuldade de fiscalização têm contribuído para o aumento dos problemas psicológicos enfrentados pelos profissionais da saúde. Também chamou a atenção para a entrada em vigor das novas exigências da NR-1, que obrigam as empresas a identificar e gerenciar riscos psicossociais relacionados ao trabalho.

Combate ao assédio e fortalecimento da CIPA+A

O procurador aposentado do Ministério Público do Trabalho, Raimundo Simões Melo, apresentou uma palestra sobre a importância da CIPA+A (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédios), destacando que a nova legislação exige ações concretas para prevenir violência, assédio moral e assédio sexual nos ambientes de trabalho.

Defensor da participação sindical nos espaços de prevenção, Melo foi categórico:

“Só tem CIPA atuante quando tem relação com o Sindicato.”

O engenheiro de segurança do trabalho Marcelo Serafim complementou o debate mostrando experiências práticas das fiscalizações realizadas nos estabelecimentos de saúde e defendendo a ampliação da participação sindical nas CIPAs. Segundo ele, a atuação dos representantes dos trabalhadores tem proporcionado maior proximidade com os problemas enfrentados pelas equipes e ampliado a capacidade de intervenção dos sindicatos.

Debate jurídico alerta para riscos do fim da escala 6x1

No último dia, o foco foi a análise dos impactos jurídicos das propostas de redução da jornada e do fim da escala 6x1. O advogado José Marques apresentou um histórico da evolução da legislação trabalhista e alertou que mudanças mal formuladas podem acabar prejudicando justamente os trabalhadores que pretendem beneficiar.

O especialista defendeu a mobilização dos sindicatos junto aos parlamentares para garantir que acordos e convenções coletivas conquistados ao longo dos anos sejam preservados caso a PEC avance no Congresso Nacional.

Durante o encerramento, Edison Laércio anunciou que a Federação buscará apoio da UGT e das demais centrais sindicais para pressionar o Senado a ouvir as reivindicações dos trabalhadores da saúde e também promoverá um seminário específico para aprofundar o debate sobre o tema.

Carta de São Paulo define as prioridades da categoria

O principal resultado do encontro foi a aprovação da Carta de São Paulo, documento assinado por todos os sindicatos presentes, incluindo o Sindsaúde Jaú e Região. O texto estabelece as diretrizes que nortearão a atuação da Federação e dos sindicatos filiados nos próximos anos.
Segundo o documento, os sindicatos assumem o compromisso de:

  • Fortalecer a educação política da categoria e estimular a construção de candidaturas comprometidas com os trabalhadores da saúde;
  • Exigir o cumprimento rigoroso das Normas Regulamentadoras, especialmente a NR-1 e a NR-32;
  • Defender o fim da jornada 6x1;
  • Lutar por jornadas compatíveis com a realidade física e emocional dos profissionais da saúde;
  • Incentivar a participação sindical nas eleições das CIPAs e CIPAs+A;
  • Tornar permanente a campanha “Saúde Sim. Violência Não.” em todo o Estado de São Paulo.


Carta de São Paulo (ÍNTEGRA)

RESOLUÇÕES

Nos dias 24, 25 e 26 de agosto de 2026, na Colônia de Férias Firmo de Souza Godinho, em Praia Grande, com a presença de 200 delegados, realizou-se o 19º Encontro Estadual da Saúde, que teve por objetivo debater e definir a linha de atuação das entidades sindicais filiadas à Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo que, juntas, representam mais de 800 mil profissionais da saúde que atuam em estabelecimentos de serviços de saúde das redes privada e filantrópica.

O Encontro focou em três eixos: “A Política como ferramenta de mudança”, “Saúde mental no trabalho: identificar, acolher e fortalecer” e “O impacto do fim da jornada 6 x 1 para os trabalhadores da saúde”.

Após palestras proferidas por convidados e plenárias de debates promovidas entre os participantes, os delegados presentes no 19º Encontro Estadual da Saúde decidem:

1 – Atuar tendo como foco a educação política, para compreender o impacto das decisões governamentais na saúde pública, avaliando a viabilidade do lançamento de candidaturas próprias da categoria para cargos eletivos e, na ausência de candidatos próprios, apoiando candidatos realmente comprometidos com as lutas dos trabalhadores da saúde.

E, considerando que o Brasil registrou um recorde de 806.011 acidentes de trabalho e 3.644 mortes em 2025, o maior número da série histórica do Ministério do Trabalho e Emprego;

Considerando que, do número total de ocorrências, cerca de 11% acontecem na área da saúde, que lidera isoladamente o ranking nacional de notificações, os delegados decidem:

2 – Ter uma ação incisiva nos estabelecimentos de saúde, de forma a exigir o rigoroso cumprimento das Normas Regulamentadoras, em especial a NR-32, específica para garantir a saúde e a segurança no ambiente de trabalho, e a NR-1, que trata do gerenciamento de riscos, inclusive os psicossociais.

3 – Atuar pelo fim da jornada de trabalho 6 x 1, tema em tramitação no Congresso Nacional, por entender que esse modelo de jornada não contribui para a saúde e a qualidade de vida dos trabalhadores.

4 – Defender a aprovação de uma jornada de trabalho compatível para a categoria, por entender que o trabalho na área impõe aos profissionais uma forte carga física e emocional e exige condições de trabalho que preservem sua saúde e segurança.

5 – Incentivar os diretores de todos os sindicatos filiados a concorrerem nas eleições realizadas nos estabelecimentos de saúde para a formação da CIPA+A, de forma a ampliar a atuação sindical nas esferas de educação e proteção da categoria.

6 – Tornar permanente a campanha “Saúde sim. Violência não.”, lançada pela Federação, com o objetivo de denunciar os casos de violência e promover o acolhimento dos trabalhadores atingidos, levando o debate a todos os espaços possíveis, inclusive às Câmaras Municipais, por meio da realização de audiências públicas, e às SIPATs (Semanas Internas de Prevenção de Acidentes).

Praia Grande, 26 de agosto de 2026

 

Subscrevem a 19ª Carta de São Paulo:

Federação dos Trabalhadores da Saúde do Estado de São Paulo

Sindicato da Saúde de Araçatuba e Região

Sindicato da Saúde Campinas e Região

Sindicato da Saúde de Franca e Região

Sindicato da Saúde de Jaú e Região

Sindicato da Saúde de Piracicaba e Região

Sindicato da Saúde de Presidente Prudente e Região

Sindicato da Saúde de Santos e Região

Sindicato da Saúde de São José do Rio Preto e Região

Sindicato da Saúde de Sorocaba e Região

Sindicato da Saúde de São Paulo

 
 
Sindicato da Saúde Jaú e Região
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