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Da enfermagem à peregrinação: Irineu da Rocha percorre mais de 300 km no Caminho da Fé


09/03/2026

 

E deixa um convite para quem deseja enfrentar o desafio: “Se tiver oportunidade, faça. Pela fé ou pelo esporte. Vale cada passo.”

Superação, espiritualidade, amizade e resistência física. Esses foram alguns dos elementos que marcaram a mais recente jornada do técnico de enfermagem aposentado Irineu Aparecido da Rocha, diretor do Sindicato dos Trabalhadores da Saúde de Jaú. Em fevereiro de 2026, ele percorreu a pé os 318 quilômetros do Caminho da Fé, entre os municípios de Águas da Prata (SP) e Aparecida (SP), em uma peregrinação que durou 10 dias e foi compartilhada com dois amigos.

A caminhada começou às 5h20 da manhã do dia 16 de fevereiro, quando Irineu, acompanhado do serralheiro Carlinhos — que realizava o percurso pela quinta vez — e de Adelson, estreante na experiência, iniciou a jornada rumo ao Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida.

Saímos com um objetivo muito claro: chegar em Aparecida de qualquer forma. Claro que a principal ideia era caminhar, mas se alguém se machucasse pegaria um carro ou Uber e esperaria os outros na cidade. O importante era completar o caminho”, conta Irineu.

Ao longo da travessia, o trio percorreu em média 30 quilômetros por dia, com trechos que variaram entre 28 km e 41 km diários, enfrentando subidas, estradas rurais e a exigente travessia da Serra da Mantiqueira.

Um caminho de fé, história e peregrinação

O Caminho da Fé é um roteiro de peregrinação inspirado no tradicional Caminho de Santiago de Compostela, na Espanha. O trajeto brasileiro foi idealizado pelo peregrino Almiro José Grings, que após percorrer o caminho europeu decidiu criar uma rota semelhante no Brasil.

O principal ramal começa em Águas da Prata, passa por diversas cidades do interior paulista e mineiro, segue pela Serra da Mantiqueira até chegar ao Santuário Nacional de Aparecida, no Vale do Paraíba. Ao longo dos mais de 300 quilômetros, os peregrinos passam por cidades como Andradas, Ouro Fino, Inconfidentes, Borda da Mata, Tocos do Moji, Estiva, Paraisópolis, Luminosa, Campos do Jordão, Pindamonhangaba e Guaratinguetá, entre outras localidades.

Ao longo do percurso, os peregrinos encontram pousadas credenciadas, pontos de apoio e sinalização característica com setas amarelas, que indicam o caminho correto. Mesmo assim, a experiência vai muito além de uma simples caminhada. “Fotos e relatos não conseguem explicar. Só fazendo para entender o que é o Caminho da Fé”, resume Irineu.

Uma experiência que marcou a vida

A relação de Irineu com o Caminho da Fé não é recente. Ele realizou a primeira peregrinação em novembro de 2003, poucos meses depois da criação oficial da rota. Naquela época, quase ninguém conhecia o percurso.

Eu convidava as pessoas e elas falavam: ‘não sou louco’. Acabei indo sozinho. Foi um dos momentos em que mais fiquei sozinho na vida. Era eu, meus pensamentos e Deus”, recorda.

Naquele período inicial, cerca de 400 pessoas haviam percorrido o caminho. Hoje, segundo ele, o número ultrapassa 100 mil peregrinos, vindos inclusive de vários países.

Nas pousadas sempre tem histórias. ‘Aqui ficou um americano, aqui ficou um francês’. Hoje o caminho é conhecido no mundo todo”, comenta.

Entre orações, amizades e reflexões

Durante os dez dias de caminhada, o trio adotou um ritual simples: cada um seguia um trecho do caminho em silêncio, respeitando o ritmo e o momento espiritual do outro. “De manhã cada um tinha seu momento sozinho. A gente se distanciava um pouco e cada um fazia suas orações, seus pedidos, seus agradecimentos.”

A peregrinação também proporcionou encontros inesperados. Irineu lembra de um peregrino evangélico que caminhou com eles e participou das orações. “Ele rezou o Pai Nosso e até a Ave Maria com a gente. No caminho você percebe que a fé une as pessoas.”

Outro aspecto curioso foi a reação de moradores das cidades. “Muita gente fora do caminho não sabe o que é peregrino. Olhavam para nós e falavam: ‘olha os andarilhos’”, conta, rindo. Mesmo assim, a maioria das pessoas demonstra respeito e curiosidade pela jornada. E também surgem amizades inesperadas. “No caminho você conversa com gente do Brasil inteiro.”

O chamado “milagre do quilômetro 100”

Um dos momentos mais marcantes aconteceu quando o grupo alcançou aproximadamente o quilômetro 100 da caminhada. Ali, tomado por uma forte emoção, Irineu relembrou histórias vividas ao longo de décadas trabalhando em hospitais, especialmente o sofrimento de pacientes com doenças graves.

Veio tudo na minha cabeça. O sofrimento de quem tem leucemia, das famílias, das pessoas lutando pela vida. Foi um momento de muita energia.” Essas lembranças reforçaram o sentido espiritual da peregrinação. “O caminho inteiro tem uma energia diferente.”

Cansaço, superação e companheirismo

Apesar da exigência física — agravada pelo relevo montanhoso em muitos trechos — Irineu afirma que em nenhum momento pensou em desistir. O segredo, segundo ele, foi o planejamento e a parceria entre os amigos, que haviam combinado a viagem um ano antes.

Para quem pretende fazer o percurso sem apoio profissional, ele recomenda grupos pequenos. “Sem agência especializada, no máximo quatro pessoas. Mais que isso pode gerar desgaste. Caminhar muitos quilômetros por dia exige paciência e respeito ao ritmo de cada um.”

Existem também grupos organizados por guias, que oferecem carro de apoio, transporte de mochilas e alimentação. Esse tipo de estrutura pode custar entre R$ 3.500 e R$ 5.000 por pessoa, já incluindo hospedagem e refeições.

Preparação física e mental

Acostumado a desafios físicos — ele também é maratonista, tendo completado provas de 42 km no Brasil e no exterior — Irineu afirma que o Caminho da Fé exige preparação. A principal dica dele é cuidar dos pés. “Prepare os pés. Eles são o principal. Faça caminhadas de 10 a 15 quilômetros antes.”

Mas a preparação não é apenas física.“Prepare a mente também. Porque as emoções do caminho são muito fortes.” Mesmo quem não tem motivação religiosa pode aproveitar a experiência. “Eu recomendo tanto pela religiosidade quanto pelo esporte. Tem gente que fala que não acredita em Deus, mas faz o caminho. Só de estar ali já está buscando alguma coisa.”

Chegada a Aparecida e um último esforço

Após dez dias de caminhada, o grupo chegou ao destino final: o Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida, um dos maiores centros de peregrinação religiosa do mundo. Mas a jornada não terminou ali.

Depois da chegada, Irineu e os amigos decidiram visitar também o Santuário de Frei Galvão, em Guaratinguetá, percorrendo mais 10 quilômetros a pé. “Depois de tudo o que a gente vive no caminho, parece que o corpo ganha uma energia extra.”

Uma vida marcada pela dedicação

A história de superação de Irineu não começou na peregrinação. Natural de Jaú, ele iniciou sua trajetória na área da saúde ainda muito jovem. Aos 15 anos, fez um curso de atendente de enfermagem. Aos 17, já trabalhava em hospital.

Ao longo de mais de quatro décadas de profissão, atuou em instituições como Hospital Amaral Carvalho, Hospital Thereza Perlatti, Santa Casa de Jahu, Hospital São Judas e Abrigo São Vicente. Foram 33 anos no Amaral Carvalho e 26 anos no Thereza Perlatti, enfrentando desafios como rebeliões de pacientes, agressões e situações extremas dentro da rotina hospitalar.

Também participou ativamente das mobilizações que garantiram melhores condições de trabalho para a categoria. “Naquela época não tinha insalubridade, não tinha cesta básica, não tinha hora extra. Muitas conquistas vieram com greves e manifestações.” Em 2024, ele se aposentou da enfermagem. Mas continuou ativo.

Em 2025 foi um dos profissionais da saúde homenageados pela Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP) por ocasião da Sessão Solene pelo Dia Estadual do Trabalhador da Saúde. No fim de 2025 fez parte da chapa vitoriosa na eleição de diretoria do SindsaúdeJaú.

Atleta e peregrino

Além da carreira na saúde, Irineu também construiu uma trajetória no esporte. Desde os anos 1980 participa de corridas de rua. Em 2024 completou sua primeira maratona de 42 km no Rio de Janeiro e passou a disputar provas de longa distância também em outros países. Hoje treina cinco dias por semana, percorrendo cerca de 90 quilômetros nesse período. Para ele, atividade física e espiritualidade caminham juntas. “O importante é ter saúde e se movimentar. Comece caminhando. Depois, quem sabe, correndo.”

Uma experiência difícil de explicar

Mesmo com todas as histórias e relatos, Irineu acredita que o verdadeiro significado do Caminho da Fé só pode ser compreendido por quem decide vivê-lo. “É uma coisa difícil de explicar. Você anda, pensa na vida inteira, faz amigos, reza, agradece. O caminho transforma a gente.”

E deixa um convite para quem deseja enfrentar o desafio: “Se tiver oportunidade, faça. Pela fé ou pelo esporte. Vale cada passo.”

Histórias de milagres marcam o percurso dos peregrinos

Entre os inúmeros relatos que fazem parte da tradição do Caminho da Fé, dois episódios são frequentemente lembrados pelos peregrinos e ajudam a reforçar o caráter espiritual da jornada.

Um dos mais conhecidos é o chamado “Milagre da menina cega de Jaboticabal”, ocorrido por volta de 1874. Segundo a tradição popular, uma menina que havia nascido sem enxergar percorreu centenas de quilômetros ao lado da mãe até chegar à cidade de Aparecida. Ao avistar a igreja dedicada à padroeira do Brasil, teria recuperado a visão, tornando-se um dos símbolos da fé ligados às peregrinações até o santuário.

Outro episódio recente lembrado pelos caminhantes é o chamado “Milagre do Km 100”, ocorrido em um ponto do percurso próximo à localidade de Luminosa, em Minas Gerais. O caso envolve a peregrina Luciana De Crescenzo, que convivia há mais de duas décadas com leucemia mieloide crônica. Durante o caminho, ela passou mal e sofreu uma forte hemorragia enquanto descansava sob uma árvore no quilômetro 100 da rota. Após o episódio, segundo relatos divulgados por peregrinos e comunidades ligadas ao caminho, exames médicos posteriores teriam confirmado a remissão completa da doença, sem necessidade de transplante.

Durante sua caminhada em 2026, Irineu conta que se lembrou especialmente dessas histórias quando passou por esse trecho do percurso. “Quando chegamos perto do quilômetro 100 veio na minha cabeça todo o sofrimento que eu vi no hospital, principalmente das pessoas com leucemia e das famílias lutando pela vida. É um momento muito forte do caminho”, relata.

 

 

 
 
Sindicato da Saúde Jaú e Região
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